HISTÓRICO DA PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA NO BRASIL
A
Psicopedagogia é um campo de estudo relativamente novo, voltado para o processo
de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, de acordo com Sampaio, caráter
preventivo e terapêutico. Seu campo de atuação hoje além do ambiente escolar
engloba família e comunidade.
Segundo Bossa (2000), os primeiros
relatos sobre os problemas de aprendizagem, surgiram na Europa, no século XIX,
mas foi um país da própria América do Sul, a Argentina, o grande incentivo para
a práxis psicopedagógica no Brasil. A graduação em Psicopedagogia existe ha
mais de trinta anos na Argentina. É uma graduação quase tão antiga quanto a
Psicologia.
A atividade psicopegagógica surgiu
anteriormente à criação do curso, pois já existiam muitos profissionais com
outra formação na Argentina, que iniciaram práticas de reeducação, cujo
objetivo era resolver fracassos escolares. Era um modo de ocupar um espaço,
onde Psicólogos e Pedagogos não atuassem.
Naquela época, os psicólogos
argentinos, não possuíam permissão para clinicar, então muitos deles decidiram
trabalhar na área da educação. Aos poucos, com muita dedicação, surgia uma
metodologia sobre as dificuldades de aprendizagem. Atualmente essa metodologia
é a Psicopedagogia.
No Brasil, a aprendizagem foi
explicada, por um longo período, como resultado de fatores orgânicos. Assim, os
problemas de aprendizagem, a partir da década de 70, passaram a ser tratados
como causa de uma disfunção neurológica, chamada disfunção cerebral mínima. Scoz
e Mendes (1987, p.16 apud Bossa, 2000), relatam que Julio B, de Quirós, médico
e professor, de Buenos Aires, foi um grande colaborador no que diz respeito aos
estudos voltados para leitura e escrita (p. 51). Suas pesquisas, publicadas na
Argentina nas décadas de 50 e 60, foram posteriormente propagadas no Brasil,
nas conferencias realizadas durante os anos 70.
Em 1970, foram iniciados os cursos
de formação de especialistas em Psicopedagogia, na Clínica Médico Pedagógica,
em Porto Alegre, com a duração de dois anos, tornando o Rio Grande do Sul o
primeiro estado brasileiro a se destacar na área de Psicopedagogia.
Somente a partir da década de 80, a
Psicopedagogia começa a ter relevância no resto do país, pois começa a se
ajustar a teoria sócio-política, que dizia respeito ao fracasso escolar e aos
problemas de aprendizagem, que passaram a ser denominados problemas de
ensinagem.
De acordo com Andrade (1998), no
início a Psicopedagogia no Brasil apresentava um caráter reeducativo, pratica
que possuía, na época, visão muito limitada baseada apenas no sintoma e que,
por sua vez, não abolia o sintoma, e sim o deslocava para outra área do
conhecimento. Assim, “uma dificuldade na área da língua escrita reeducada fazia
com que o problema relacionado à língua escrita fosse suprimido, mas em
contrapartida, "aparecia" uma dificuldade na área da matemática”
(p.38). Outras práticas psicopedagógicas foram com o passar do tempo,
difundidas no país. São elas a psicopedagogia clínica e a preventiva. A Psicopedagogia
clínica é definida por Andrade como o modo como se percebe o processo de ensino
aprendizagem, de modo que esta não se limita apenas ao sintoma, mas também em
suas causas. No Brasil, a Psicopedagogia preventiva, está relacionada à intitulada
Psicopedagogia institucional e é definida a seguir:
É o trabalho realizado pelo psicopedagogo
junto às organizações na adequação do conteúdo, do planejamento da ação
pedagógica propriamente dita, bem como das relações inter pessoais que se
estabelecem no âmbito institucional.
Busca-se, através desta prática, prevenir os
possíveis problemas de aprendizagem de ordem reativa, isto é, aqueles problemas
que aparecem como reação a uma inadequação institucional. Aqui não se trabalha
com as reações e sintomas já instalados, mas com a possibilidade de que estes
venham a surgir, adiantando-se no movimento e suprimindo-se as possíveis causas
promotoras destes problemas. (ANDRADE, 1998, p. 42)
A proposta das
psicopedagogias clínica e preventiva, exigem do profissional atuante um
conhecimento teórico e prático abrangente no que diz respeito a aprendizagem,
em seus aspectos sadio e patológico.
Gonçalves [s.d], relata que
a Psicopedagogia é constituída pela aposição de dois saberes, sendo eles a psicologia
e a pedagogia. A autora define a psicopedagogia como uma ciência, cuja proposta
é estudar o processo ensino aprendizagem humana. O objeto de estudo dessa nova
ciência é o sujeito em seu processo de construção do conhecimento, bem como
suas dificuldades. Terapeuticamente, é papel da psicopedagogia identificar,
averiguar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento.
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
ANDRADE, M. S. de. Psicopedagogia Clínica: Manual de Aplicação Pratica para Diagnóstico de
Distúrbios do Aprendizado. São Paulo: Póluss Editorial, 1998, p. 31 – 64.
BOSSA, N. A. A Psicopedagogia na Argentina e no Brasil. In:______ A Psicopedagogia no Brasil:
contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artmed, 2000, p. 35-61.
GONÇALVES, L. Psicopedagogia
Clínica. Disponível em:
<http://aprendizagemafetiva.blogspot.com/2011/09/psicopedagogia-clinica_24.html>. Acesso em 14 abr. 2011.
Nenhum comentário:
Postar um comentário