quarta-feira, 7 de março de 2012


HISTÓRICO DA PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA NO BRASIL

            A Psicopedagogia é um campo de estudo relativamente novo, voltado para o processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, de acordo com Sampaio, caráter preventivo e terapêutico. Seu campo de atuação hoje além do ambiente escolar engloba família e comunidade.
            Segundo Bossa (2000), os primeiros relatos sobre os problemas de aprendizagem, surgiram na Europa, no século XIX, mas foi um país da própria América do Sul, a Argentina, o grande incentivo para a práxis psicopedagógica no Brasil. A graduação em Psicopedagogia existe ha mais de trinta anos na Argentina. É uma graduação quase tão antiga quanto a Psicologia.
            A atividade psicopegagógica surgiu anteriormente à criação do curso, pois já existiam muitos profissionais com outra formação na Argentina, que iniciaram práticas de reeducação, cujo objetivo era resolver fracassos escolares. Era um modo de ocupar um espaço, onde Psicólogos e Pedagogos não atuassem.
            Naquela época, os psicólogos argentinos, não possuíam permissão para clinicar, então muitos deles decidiram trabalhar na área da educação. Aos poucos, com muita dedicação, surgia uma metodologia sobre as dificuldades de aprendizagem. Atualmente essa metodologia é a Psicopedagogia.
            No Brasil, a aprendizagem foi explicada, por um longo período, como resultado de fatores orgânicos. Assim, os problemas de aprendizagem, a partir da década de 70, passaram a ser tratados como causa de uma disfunção neurológica, chamada disfunção cerebral mínima. Scoz e Mendes (1987, p.16 apud Bossa, 2000), relatam que Julio B, de Quirós, médico e professor, de Buenos Aires, foi um grande colaborador no que diz respeito aos estudos voltados para leitura e escrita (p. 51). Suas pesquisas, publicadas na Argentina nas décadas de 50 e 60, foram posteriormente propagadas no Brasil, nas conferencias realizadas durante os anos 70.
            Em 1970, foram iniciados os cursos de formação de especialistas em Psicopedagogia, na Clínica Médico Pedagógica, em Porto Alegre, com a duração de dois anos, tornando o Rio Grande do Sul o primeiro estado brasileiro a se destacar na área de Psicopedagogia.
            Somente a partir da década de 80, a Psicopedagogia começa a ter relevância no resto do país, pois começa a se ajustar a teoria sócio-política, que dizia respeito ao fracasso escolar e aos problemas de aprendizagem, que passaram a ser denominados problemas de ensinagem.
            De acordo com Andrade (1998), no início a Psicopedagogia no Brasil apresentava um caráter reeducativo, pratica que possuía, na época, visão muito limitada baseada apenas no sintoma e que, por sua vez, não abolia o sintoma, e sim o deslocava para outra área do conhecimento. Assim, “uma dificuldade na área da língua escrita reeducada fazia com que o problema relacionado à língua escrita fosse suprimido, mas em contrapartida, "aparecia" uma dificuldade na área da matemática” (p.38). Outras práticas psicopedagógicas foram com o passar do tempo, difundidas no país. São elas a psicopedagogia clínica e a preventiva. A Psicopedagogia clínica é definida por Andrade como o modo como se percebe o processo de ensino aprendizagem, de modo que esta não se limita apenas ao sintoma, mas também em suas causas. No Brasil, a Psicopedagogia preventiva, está relacionada à intitulada Psicopedagogia institucional e é definida a seguir:


É o trabalho realizado pelo psicopedagogo junto às organizações na adequação do conteúdo, do planejamento da ação pedagógica propriamente dita, bem como das relações inter pessoais que se estabelecem no âmbito institucional.
Busca-se, através desta prática, prevenir os possíveis problemas de aprendizagem de ordem reativa, isto é, aqueles problemas que aparecem como reação a uma inadequação institucional. Aqui não se trabalha com as reações e sintomas já instalados, mas com a possibilidade de que estes venham a surgir, adiantando-se no movimento e suprimindo-se as possíveis causas promotoras destes problemas. (ANDRADE, 1998, p. 42)



A proposta das psicopedagogias clínica e preventiva, exigem do profissional atuante um conhecimento teórico e prático abrangente no que diz respeito a aprendizagem, em seus aspectos sadio e patológico.
Gonçalves [s.d], relata que a Psicopedagogia é constituída pela aposição de dois saberes, sendo eles a psicologia e a pedagogia. A autora define a psicopedagogia como uma ciência, cuja proposta é estudar o processo ensino aprendizagem humana. O objeto de estudo dessa nova ciência é o sujeito em seu processo de construção do conhecimento, bem como suas dificuldades. Terapeuticamente, é papel da psicopedagogia identificar, averiguar, planejar, intervir através das etapas de diagnóstico e tratamento.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, M. S. de. Psicopedagogia Clínica: Manual de Aplicação Pratica para Diagnóstico de Distúrbios do Aprendizado.          São Paulo: Póluss Editorial, 1998, p. 31 – 64.

BOSSA, N. A. A Psicopedagogia na Argentina e no Brasil. In:______ A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artmed, 2000, p. 35-61.

GONÇALVES, L. Psicopedagogia Clínica. Disponível em: <http://aprendizagemafetiva.blogspot.com/2011/09/psicopedagogia-clinica_24.html>.  Acesso em 14 abr. 2011.




           

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